Diversificação: Chateaubriandense aposta em cultivo sustentável de tomates

By 24 de junho de 2020 Reportagens
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Produtor é o jovem Thiago Bratifich Ribeiro, que é agrônomo

Diversificar a produção e a renda da família. Esse foi o desafio do jovem agrônomo Thiago Bratifich Ribeiro. Neto de produtores de grãos no ramal Góia, em Assis Chateaubriand, ele resolveu apostar na produção de tomates em estufas. Com o um cultivo mais sustentável, os tomatinhos vêm agrando os paladares devido ao sabor mais adocicado de que os tradicionais, com a doçura equivalente a de uma uva, pera ou de um morango, por exemplo.

Atualmente, a Profruti conta com 4 módulos de estufa edificados, totalizando 1.090 m² construídos no segundo semestre de 2019. O espaço é dividido igualmente na produção de morangos, cultivados no sistema semi-hidropônico, com aproximadamente 4 mil plantas em slab e tomates no mesmo sistema com mil plantas cultivadas no vaso, com projeção para triplicação nos próximos anos da área para cultivos de solanáceas (tomate/pimentão).

Sistema semi-hidropônico consiste na produção sem o uso de solo

O projeto para implementação das estufas começou em uma conversa do Thiago com o pai, no fim de 2018, com o objetivo em investir no agronegócio, porém, em algo diferente do tradicional, do comum na região. “No período de graduação, tive contato com a cultura do tomate em experimentos acadêmicos e em visitas a grandes feiras do setor, como a Hortitec e em campos experimentais. Foi um passo importante para dar início a um conhecimento mais técnico da cultura e seu manejo. A ideia de diversificação de produção em uma área pequena e com bom retorno foi aflorando o projeto de implementação relacionado à produção de hortifrúti em estufas, com o cultivo protegido”, detalha o jovem produtor.

O sistema semi-hidropônico consiste na produção sem o uso de solo, que normalmente é substituído por substratos inertes, que não tem função nutricional, somente com o objetivo de ter uma condutividade elétrica conhecida, sendo uma drenagem específica para sustentação da planta e seu crescimento pelas raízes. “Esses compostos de substratos podem ser a base de fibra de coco, casca de arroz carbonizada, casca de pinus, turfa, vermiculita. Toda nutrição necessária para o desenvolvimento das plantas é feita via fertirrigação, calculados conforme a exigência em cada fase de cultura em questão, tendo um padrão de pH necessário e condutividade elétrica conforme a cultura”, detalha Thiago.

Produção conta com 4 módulos de estufa edificados, totalizando 1.090 m² construídos no segundo semestre de 2019, no interior de Assis Chateaubriand

O cultivo protegido despende de maiores investimentos inicias na implementação de qualquer cultura, principalmente em relação a execução da mão de obra, que gira em torno de 30% a 40%. “No meu caso, o projeto de construção estrutural e hidráulico foi desenvolvido por mim e a execução também, com a ajuda dos familiares. Por se tratar de uma região com pouco cultivo em estufas, quase todos fornecedores e insumos são adquiridos em outras cidades e, até mesmo, em outros estados”, conta o produtor.

O cultivo em estufa tem suas vantagens e desvantagens. “Podemos citar como vantagens, maior controle do clima, menores problemas com pragas e plantas daninhas, maior controle na qualidade do produto final e valor agregado. No nosso sistema, que é cultivado em vaso, temos a vantagem de quase não ter nenhum problema com doenças de solo; caso tenha alguma suspeita, o tratamento é feito localizado ou isolado o vaso em questão. Nas desvantagens, dependendo da cultura implementada, podemos citar, maior conhecimento técnico empregado, onde pouquíssimos erros são admitidos, maiores custos de produção, cuidados com o solo, principalmente relacionado a doenças e salinização [concentração de sais), em alguns casos um maior manejo”, explica.

“Nosso tomatinho doce e sem acidez conquista quem prova”, garante Thiago

Cultivo sustentável
O produtor conta que o cultivo sustentável vai desde a estrutura, com captação de água da chuva para armazenagem e, posteriormente, o uso na irrigação, até as práticas de produção e manejos no controle de pragas e doenças, no intuito de reduzir ao máximo o uso de químico. “Nossa estufa de tomate possui fechamento total de laterais com telas anti-afídeos e assepsia na entrada a fim de evitar contaminação proveniente de solo externo. Trabalhamos muito com métodos preventivos e biológicos, onde utilizamos, por exemplo, feromônios do inseto-praga em questão para diminuição de sua reprodução dentro da estufa, daqueles insetos que ainda conseguem adentrar ao local”, reforça Thiago.

Produção de tomates
O cultivo do tomate depende de constante manejo, desde a implementação até a colheita. O trabalho é quase diário, principalmente relacionados à poda de brotos e tutoramento, que é a condução do pé de tomate, já que naturalmente o tomateiro é um arbusto rasteiro. “Como responsável técnico e agrônomo, tenho a dedicação diária das atividades e, em alguns momentos, conto com a ajuda de familiares. Também temos, em alguns períodos, orientação de fitotecnia da cultura para voluntários graduandos da área da agronomia”, conta Thiago.

Tomates da Profruti começou a comercializados nos principais mercados de Assis

Os tomates são de ciclo indeterminado, não tendo uma faixa de cultivo em dias exatos. A sua condução vai conforme a viabilidade de produção. “Para isso, cultivamos em um sistema conhecido como holandês ou carrossel, que consiste nas amarras dessa planta por fios. Esse carretel, onde desce o fio, tem uma reserva que servirá para dar continuidade no crescimento da planta. Conforme ela vai crescendo e atinge a altura máxima do teto, essa linha é solta e a planta fica sobreposta uma a outra, abaixando-a naturalmente, formando uma espécie de crescimento constante. Pretendemos ter a planta em um ciclo de produção de mais ou menos 5 meses nos mini-tomates, onde ela atingirá um tamanho superior a 6 metros ao fim desse período”, afirma.

Desafios na produção
Segundo Thiago, além de alguns limitantes que já foram destacados para a região, outro desafio está relacionado à temperatura, principalmente nos meses de dezembro a fevereiro. “A temperatura limitante para o tomate está na faixa de 35 ºC, embora tenhamos um sistema semi-automatizado de funcionamento programado, onde conseguimos ter um controle de umidade interna [nebulizadores], irrigação controlada e circulação do ar por meio de ventiladores e exaustores, pois é comum para nossa região temperaturas do ar superiores a essa faixa, o que torna muito difícil a produção de um fruto de qualidade nessas épocas”, destaca.

Cultivo protegido despende de maiores investimentos inicias na implementação de qualquer cultura

Tomatinhos mais doces
Na produção, as medições de “doçura (ºBrix)” do tomate grape equivalente a doçura de uma uva, pera e morango, por exemplo. “Pretendemos produzir a média de 4 quilos de tomate grape por planta; tomate saladete de 8 a 12 quilos por planta, em um ciclo de 110 a 120 dias. Dizemos que nosso principal marketing é nosso próprio produto, o nosso tomatinho sem acidez e mais doce, que conquista quem prova”, garante Thiago.

Comercialização
A Profruti começou a comercialização dos produtos há poucas semanas nos principais mercados de Assis. De acordo com o Thiago, a marca conta com um produto de primeira linha, com embalagem e identificação própria. “Comercializamos tomates de mesa saladete, os minis-tomates grape e cereja, todos de linha premium, de híbridos de alta performance e produtividade”, conclui o jovem produtor Thiago.

Contato
Para saber mais sobre o produto e para compras, os comerciantes e consumidores podem entrar em contato diretamente com o Thiago pelo número de telefone (44) 9.9868-7253 ou pelas páginas no Facebook e Instagram @profruti.

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