Pandemia também provoca queda em número de casamentos

By 31 de julho de 2020 Reportagens
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Enquanto isso, os vestidos de noivas vão ficando pendurados nos cabides. Há lojas oferecendo até 70% de desconto nesse tipo de vestido

Por Clóvis de Almeida

A proibição de realizar a tão sonhada e esperada festa dos noivos e os avisos para que se evitem aglomerações provocaram uma acentuada queda no número de celebrações oficiais de casamentos, nunca visto na história recente. Conforme informação do Ofício de Registro Civil das Pessoas Naturais (Cartório Civil), esse número chega a 90%, em relação ao mesmo período do ano passado.

Os meses que as pessoas mais se casam são de março a agosto, com uma média mensal que era de 12 celebrações, em Assis Chateaubriand, número que caiu para a casa de um dígito, e bem baixo, em razão da pandemia.

Ainda conforme o Cartório em Assis, as celebrações, quando ocorrem, só permitem a presença de quatro pessoas, além do escrivão, os noivos e mais duas testemunhas. Medida para atender as normas de não provocar aglomerações.

Por causa do grande número de adiamentos de datas de celebrações, agora, os certificados de habilitação de casamento têm o prazo de validade do documento prorrogado por mais 90 dias.

Não pode juntar gente
Os adiamentos se devem ao fato de ter que obedecer às normas de segurança, que proíbem aglomerações e as tão esperadas festas que reúnem famílias, parentes e amigos, na mais tradicional festança milenar, que une duas pessoas com os laços matrimoniais.

Com isso, os organizadores de eventos estão acumulando prejuízos atrás de outros, com as cerimônias religiosas e as festas casamenteiras adiadas.

Os conhecidos bufês estão em jejum há meses, sem uma previsão de volta ao atendimento de cerimoniais que, para muitos, são o ganha-pão principal ou único.

Conforme Paulo Roberto da Silva, o “Paulinho do Buffet”, desde o mês de março passado que os eventos começaram a ser adiados, com o agravamento da pandemia. Segundo ele, não só os casamentos não estão ocorrendo, mas também as formaturas e outros tipos de realizações que movimentam o negócio de bufês, floriculturas, fotografia, filmagens, música e serviços de garçons. Na maioria desses eventos é grande o número de pessoas empregadas, que variam conforme o tamanho da cerimônia ou festa. “Em formaturas, a gente chega a utilizar o trabalho de 60 pessoas ou mais. É muita gente envolvida nas realizações de eventos. Gente que está parada nessas atividades”, lembra Paulinho.

Em Assis, há cinco empresas que fazem o serviço de bufê.

Fotos em dificuldades
Outro setor que sofre com a pandemia é o de fotografia e filmagem, que, tendo o maior faturamento em eventos, ficam praticamente sem serviços, inclusive tendo que dispensar funcionários. É o que confirma o fotógrafo Douglas Neves. Segundo ele, não há mais nem orçamentos para os casamentos de igrejas e de festas. Nem batizados ou aniversários. “Zerou tudo. Tínhamos cerca de três orçamentos feitos por noivos, por semana. Sumiram. Diante da incerteza, eles acham melhor adiar sem data determinada, não querem arriscar. Estamos trabalhando com dificuldade”, garante o profissional do foto mais antigo da cidade.

Segundo a cerimonialista Ivete Bilk, nas festas de casamento sempre há muita gente de fora, por isso as pessoas ficam com medo e adiam as celebrações. “Estamos sem realizar eventos, desde março. Diariamente, recebo mensagens de noivos me questionando quando tudo volta ao normal. Nossa expectativa é de que não volta neste ano. Dos contratos que temos, graças a Deus, apenas um desistiu. Todos os demais casais adiaram. A justificativa é de não poder realizar a comemoração festiva e para não colocar em risco pessoas idosas, como, avós, pais, tios e outros”, esclarece Ivete.

Cerimonialista há 12 anos, Ivete explica ainda que a pandemia tem lhe mostrado que é preciso se reinventar. “Somos capazes de inovar o segmento. Estamos tendo tempo para pensar, pesquisar e oferecer um trabalho com mais qualidade. Tudo na vida tem um aprendizado, até nos momentos de crise”, reflete Ivete Bilk.

Reinventar, sempre
As floriculturas também tiveram uma forte queda nos serviços que prestam para celebrações, principalmente de casamentos. Só não foi pior porque atendem aos serviços de funerárias, porém, estão tendo que se aprimorar por causa da concorrência no setor. É o que afirma Vera Lúcia Oliveira Ribeiro, dona de floricultura. “Estamos nos reinventando de várias formas, como, com caixas para presentes e o trabalho com coroas de flores”, garante. Com relação aos casamentos, Lúcia garante que o serviço zerou para este ano. “Tudo foi transferido para o ano que vem. A preocupação será com os eventos já previstos anteriormente, vão se acumular. Estamos com a agenda 2021 completamente cheia”, garante a florista.

No Brasil todo é assim
Em maio passado, uma pesquisa feita pela plataforma digital Icasei* mostrou que a pandemia do novo coronavírus já havia causado uma queda expressiva no número de casamentos no Brasil inteiro. Segundo o levantamento, o número de cerimônias, após o dia 11 de março, registrou naquele mês uma queda de até 61,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Esse número deve chegar ou ultrapassar os 90% hoje, como ocorre em Assis Chateaubriand.

Segundo o levantamento, também foi observado uma queda de 97% no acesso dos convidados à lista de presentes virtual dos noivos, nas lojas, o que indicaria que, por conta do isolamento social, os convidados estão deixando de presentear os noivos.

*Icasei é uma plataforma de sites de casamento e lista de presentes.

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